Não tenho como falar da alma de vovó. Acho que não existem palavras que possam descrevê-la. Pode parecer excesso de emoção por sua recente partida, mas não é. Durante toda a sua vida, quando eu olhava para vovó, ficava imaginando que espírito grandioso habitava aquele corpo. Alguém puro, servil, iluminado.
Não é meu apenas o discurso de que pouco ou nunca se viu vovó reclamar dos outros (a não ser das empregadas lá de casa...kkk). Vovó agia sempre ponderando os erros alheios, lhes encontrando justificativa e vendo tudo por um ângulo mais cristão.
Vovó acreditava em Deus. Nos últimos três anos, ouvíamos muito ela dizer “Que Nossa Senhora e Jesus me protejam e me dêem paciência para eu melhorar”. Achava que era fraca, doente. Achava que sua anemia era um problema sério de saúde. Agarrava-se em Deus para se fortalecer.
Em seu guarda roupa, desde pequena, eu encontrava livros espíritas. Não entendia o que eram. Mais tarde, ficava um pouco com medo de abrir e ler alguma coisa assustadora. Depois, entendi do que se tratavam e achei sublime toda a doutrina. Interessei-me, estudei um pouco sobre isso. Queria, entre outras coisas, ter conversa com a minha avó sobre o assunto. Mas ela falava pouco a respeito e eu também silenciava.
Confesso que me conforta pensar que vovó acreditava que não morremos em alma. Que vamos para outra dimensão apenas, mais luminosa e sublime, segundo o nosso merecimento. Conforta porque imagino que ela não temeu o fim; que sabia que apenas iria recomeçar e que isso tornou mais fácil seu novo despertar. Por sua alma, tenho certeza de que vovó foi para um lugar lindo; um “céu”, sem dúvida! Deus retoma seus anjos para que sejam mais poderosos em sua intercessão e para que não vivam mais as crueldades ainda existentes em nosso mundo. Apesar da tristeza da saudade, nossa alma agradece ao Senhor!
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