sexta-feira, 28 de junho de 2013

Homenagem de Tia Selene a Vovó Judith


Queridos familiares e em especial

amados irmãos Solange, Sônia, Solon e Sales

 

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Alguém já disse que ao longo da vida “conhecemos pessoas que vêm e que ficam. Outras que vêm e passam. Outras que vêm, ficam e depois de algum tempo se vão. E existe aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar.” Assim era mamãe. Amava viver e sua vida se resumiu em amar e servir a todos.

Mamãe teria completado (se estivesse viva) 101 anos no dia 25 de maio de 2013, passado.

Com mamãe aprendi muita coisa. Foi a minha líder. E já adulta, tive a certeza que em mamãe estavam todas as referências de que eu precisava para dar certo na vida. E graças a Deus, deu certo. Digo a vocês queridos familiares, com toda a certeza de minha alma, que se sou o que sou hoje e aqui incluo vocês, meus queridos irmãos Solange, Sônia, Solon e Sales, (sem esquecer Sílvio que também está em outra dimensão com mamãe), se somos o que somos hoje, devemos muito, muito, tudo aquilo que recebemos de nossos pais. Papai partiu mais cedo, teve a sua grande contribuição como PAI, mas mamãe, DEUS permitiu que ela permanecesse conosco, durante 97 anos e meio. Sua vida realmente foi uma dádiva de DEUS e só temos que agradecer todos os dias sobre esse presente valioso. Ela certamente, como dizia o personagem fictício da música Ando Devagar, construiu uma bela e inesquecível história de vida permeada de valores e  mesmo com a sua simplicidade de pessoa, nos deixou um legado de ensinamentos e exemplo de vida, extensivo a todos os familiares e que certamente nortearam as nossas vidas, incluindo os netos e os bisnetos. 

Tinha programado que, juntamente com a homenagem que fiz para Toré na comemoração dos seus 70 anos, faria também uma homenagem para mamãe, mas o medo de me emocionar e chorar bastante, o que certamente aconteceria, não me deu coragem e por causa dessa omissão, fiquei muito frustrada, confesso a vocês Sempre é bom falar de mamãe e eu queria tanto falar. Ela merecia essa minha homenagem, considerando que naquele momento, todos estávamos sentindo a sua falta. Deveria ter feito, independente do medo. Então, resolvi enviar para vocês através desse e-mail, a minha mensagem de saudade, saudade ainda muito presente, saudade ainda muito doída, mas de uma forma mais branda, mais suave, da ausência da presença física de mamãe em mais um nosso encontro familiar.  Mamãe faz muita falta e devem estar lembrados, era ela quem mais vibrava com esses momentos. Aqui, em meu apartamento, na casa de Solange, na Imbiribeira, em Aldeia, quando comemorávamos datas festivas como Natal, Ano Novo, Semana Santa, São João e aniversários, ela era a primeira que se aprontava e aqui em casa, ela não esquecia de trazer na sua bagagem, a sua caixinha de joias e parece que estou vendo a cena: ela sentava no divã e me chamava: “Lena, minha filha, me ajude a colocar minhas joias.” Que saudades daquele tempo!!!! Eu já falei uma vez que comparava mamãe com a figura da galinha e seus pintinhos. Ela se sentia realizada, feliz, quando tinha a sua volta, filhos, netos, bisnetos, genros, noras, amigos e outros familiares, porque mamãe gostava de juntar, reunir, agrupar. Definir Mamãe é muito fácil. Mamãe foi aquela pessoa especial em nossas vidas que irradiava paz, tranquilidade, amor, carinho, cuidados, preocupação com a família, meiguice e tantos outros predicados... Mamãe tinha uma característica: era de pequena estatura e Karla em seu livro muito saudoso, em determinada página ela citou: "Tornava-se perceptível o contraste da pequena estatura de vovó, tão pequenininha, miúda, frágil com a sua fortaleza e grandeza de alma” E não deixa de ser uma grande verdade. Mamãe foi aquela pessoa única e original em nossas vidas. Que saudades’’. Lendo mais uma vez o livro de Karla, eu destaquei uma frase na carta que Tainá escreveu e que expressou realmente o pensamento de todos nós, em relação à mamãe: "PENSAR EM MINHA VÓ JUDITE, ME FAZ QUERER SER UMA PESSOA MELHOR SEMPRE”.E tenho certeza que todos nós gostaríamos de ser como mamãe. A saudade que estamos sentindo é grande, é aceitável e graças a Deus está mais suave e desejo particularmente continuar sentindo-a, e apesar de sua ausência física, porque tenho certeza de que espiritualmente ela está conosco em todos os momentos, eu quero sim, continuar a sentir sua falta e tentar ser uma pessoa parecida com mamãe. Só sentimos saudades, daquilo que foi bom e jamais quero esquecer tudo que passei ao seu lado. E tem mais um detalhe: mamãe tinha uma grande afeição por Toré e o sonho que Karla teve, por ocasião do seu problema de saúde, comprovou com toda certeza que ela onde estiver, continua velando por todos nós. Abençoada mamãe! Descanse em paz e saiba que lhe amamos muito !!!!

Um grande abraço,     Selene