Quando pequenos, antes de ir para o Colégio Santa Bárbara, fardinha arrumada por vovó, tomávamos café. Eu não comia muito. Lembro que vovó preparava leite com Nescau para mim e assava duas bandas de pão para eu comer. Eu adorava pão assado. Ironicamente, esta foi a refeição mais freqüente de vovó quando já velhinha. Poucas coisas que ainda a víamos comer com gosto era o pão assado com café. Foi, durante muito tempo, inclusive, motivo de preocupação minha e de mamãe que vovó só se alimentasse, praticamente, com isso. Mas ela relutava, só queria o pão e o café. Era isso que ela gostava. Sinto o cheiro do pão e me lembro dela!
Acho que vovó retribuiu a preocupação que sentia. Em algumas manhãs, naquela época, eu sequer comia as duas bandas de pão. Só tomava o leite e “beliscava” um pouco a comida. Lembro de vovó dizer que eu ficaria fraca, que não aprenderia nada na escola. Mas não tinha muito jeito.
Mas vovó era esperta. Tinha suas estratégias. Na hora do almoço, se eu demonstrasse que não queria comer muito novamente, ela não aceitava a recusa. Mas fazia isso de forma inteligente. Fabian e Surama (e possivelmente alguns outros primos nossos) vão lembrar dessa maravilha de estratégia: vovó simplesmente fazia bolinho de nossas comidas, com as suas mãos. Os bolinhos de D. Anastácia do Sítio do Picapau Amarelo (era o que eu pensava...). Vovó amassava nosso almoço, colocava um pouquinho de “graxa” (gordura) da carne no meio do prato e dizia para gente comer. De repente, aquele prato cheio de comida chata, se tornava uma aventura. Toda aquela comida reduzida a cinco ou seis bolinhos? Era muito fácil de terminar. Às vezes, pedíamos mais! E só em forma de bolinho é que continuávamos a comer. Houve um tempo em que eu comecei a fazer os meus bolinhos. Mas não tinha tanta graça. Faltava o maior tempero: o carinho de vovó!
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