segunda-feira, 27 de junho de 2011

4. Lembranças, aprendizado, amor...


                 Quando meu avô Pedro faleceu, em 1967, meus pais estavam para se casar. Mamãe pediu então, que aguardassem o luto de um ano. Meu pai acatou e, para oportunizar o tempo, juntou dinheiro e comprou uma casa no Ipsep, em Recife, mesmo morando lá em Arcoverde ainda. Neste tempo, vovó já morava aqui no Recife, no bairro da Estância, com seus filhos, e papai sugeriu que, ao invés dela pagar aluguel, ela fosse para a casa que ele havia comprado. Vovó mudou-se para lá, então.
Após o casamento, em 1968, nasceram Fabian e Surama e com a vinda de papai e mamãe ao Recife, em 1974, poderia parecer lógico que vovó e seus filhos ainda solteiros tivessem que se mudar para dar espaço à família que viria. Entretanto, papai coloca na sua vinda, uma admirável condição: disse à vovó que só viria com mamãe e seus filhos se ela permanecesse na casa, junto com eles.
            De tantas histórias e piadas difundidas socialmente sobre sogras e genros, pena que ninguém conte as boas, como essa. Acho que meu pai teve uma grandeza de alma incrível em iniciar sua vida aqui partilhando seu espaço com outros membros da família de sua esposa. Partes dela também. Casamento integral: não só com a pessoa, mas com parte de sua história. Louvável. E agradeço muito a ele por isso, principalmente, porque viabilizou minha vida e criação ao lado de vovó. Eu nasceria em 1975, com sua presença já me acompanhando dentro da barriga de mamãe. E aí, de 1975 a 2009, eu teria a companhia de minha avó, sua referência em minha criação e a sublime dádiva de sua presença em minha história. Obrigada, papai. Um gesto de gentileza, aparentemente simples, se tornou uma referência de vida a mim e aos meus irmãos. Para sempre!

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