segunda-feira, 27 de junho de 2011

5. Da infância! Um copo d´água...

              Pouco me lembro da nossa casa do Ipsep. Eu era muito pequena quando saímos de lá. Fomos para a Imbiribeira em 1978. Deixei a casa do Ipsep, então, com cerca de três anos de idade. Tenho algumas imagens mentais do jardim, que não sei se são da época mesmo, talvez tenham sido proporcionadas por algumas fotos que tiramos por lá e ainda temos até hoje. Mas tenho lembranças do barulho do avião. Ficávamos ao lado do aeroporto e quando eles decolavam ou aterrissavam, sempre sabíamos do evento. E me lembro da cozinha, tenho uma lembrança clara do lugar e sei exatamente o porquê.
            Tínhamos ido buscar Surama (não sei se Fabian também) no colégio. Estávamos no carro que eu pensei que era o Passat, dirigido por tio Silvio, e Surama me corrigiu, recentemente, dizendo que era a Brasília, dirigida por tio Sales. Transportes e tios à parte, houve um acidente. Bateram no carro (bom não evidenciar quem foi o tio, nesta hora, não é mesmo? Revelaria, taxativamente, o “barbeiro” do momento...ah,ah,ah...) Mas nem sei de quem foi a culpa. Tenho mesmo fragmentos de memória apenas. Lembro, vagamente, do episódio. Mas lembro, claramente, de quem me acalmou enquanto eu chorava, dizendo que não era nada, que não havia problema, que tinha sido só um susto: vovó Judith.
            E por que me lembro da cozinha? Porque fomos levadas para casa, enquanto “o tio” e mais alguém que não lembro ficavam resolvendo lá a bronca do carro. E fui conduzida à cozinha, por minha avó. Lembro que tinha um balcão em L, um lado, dividindo a outra sala e o outro, onde se localizavam a pia e, no cantinho, o filtro. Vovó me colocou em cima do balcão. Eu estava ainda chorando. Disse para eu me segurar e ficar quietinha e foi buscar água no filtro. “Tome água para se acalmar do susto”.
            Lembro que na hora eu pensei em quê que a água curava susto (?). Mas não questionei quando recebi aquele copo dado com tanto carinho. Ali, naquele momento, simplesmente aprendi que água passa susto; que água acalma a alma! Hoje, chorando muitas vezes a saudade de vovó, corro para beber água e me lembro, olhos de lágrimas, boca sorrindo, esse ensinamento que ela me deixou...

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