Aparentemente, um dia "normal" de novembro. Nosso cotidiano já se acomodou às sucessivas demandas de atividades e papeis aos quais temos que corresponder. Vamos seguindo...e, na maioria das vezes, bem (como tem que ser)! Entretanto, hoje não é um dia assim “tão normal”. Para nós, da família, é um dia emblemático, pois nos lembra uma ruptura, uma partida, um adeus... É um dia de lembranças boas, mas também de lembranças tristes. De saudade referenciada! Sim, porque a saudade caminha conosco diariamente. Mas o dia 14 de novembro nos dá motivo, nos legitima, nos referencia assim: “foi hoje”, foi a partir daqui que conhecemos a saudade física de nossa querida Judith.
Um dia de oração, por sua alma, por nós, por nossa fé e esperança. Um dia de questionamentos, de inferências (e se...), de várias lembranças nossas. O mundo corre com seu relógio, com as atividades diárias, com as obrigações e acontecimentos festivos que se sucedem. Sim, estamos aqui, neste turbilhão de sensações e vivências. Mas o dia 14 de novembro é apenas, aparentemente, um dia normal. Porque não o é, efetivamente. É o dia da saudade. Saudade não só de vovó, mas do meu papel de neta-filha, que não desempenho há 3 anos. Saudade de chamar seu nome, de ouvir sua voz, de ir até onde ela está. Saudade de eventos futuros. Só a separação possibilita saudade do que não se viveu. Pois sim, tenho saudade de mostrar a vovó como Rafael está safadinho, como ele é lindinho. De ouvi-la dizer, como todos dizem, que ele é a cara do pai, mas tem meus olhos...saudade de lhe mostrar seus avanços (e os meus, enquanto pessoa nesta vida!).
Neste dia de saudade, fica ainda a reflexão dos papeis que “estão” (de filha, de mãe, de irmã, de esposa, de tia, de professora, de amiga....) E que temos que desempenhá-los da melhor maneira que pudermos. Para que não tenhamos arrependimentos. Para que possamos partir também deixando MUITAS saudades, como vovó. Para não deixar que dias futuros, na vida de tantos, e já na nossa ausência, sejam simplesmente dias normais.