terça-feira, 28 de junho de 2011

32. Ilvinho deixa sua mensagem...


Tive contato com o livro ontem (domingo 26/06/11) às 05:30h quando me arrumava para voltar ao Recife, depois de mais um São João inesquecível ao lado de pessoas que tanto amo, mas que não sei expressar.

Confesso-te que, naquele momento, não consegui ler nem mesmo a contracapa, pois fui tomado por uma emoção que precisei sair da casa de Mércia para que não me vissem chorando.

Ao chegar a Recife pedi a Sheyla para ficar com o livro, pois iria lê-lo rapidamente já que havia terminado outro durante a estada em Arcoverde. Ledo engano, durante a tarde tentei novamente folhear suas memórias, mas não me contive novamente.
 

Somente hoje consegui iniciar e concluir a leitura e fiquei encantado com suas palavras, como elas nos fazem relembrar momentos que foram colocados de lado pela rotina diária.


Ilvinho, Rodrigo, Karla e Surama,
Rua Zeferino Pinho, ainda sem asfalto. Brincamos muito aí...

Lembro vagamente de quando vocês moravam no Ipsep, pois morei lá perto e ia andando pra lá. As maiores lembranças são da casa da Imbiribeira, das tardes que passávamos brincando após voltar do Colégio Santa Bárbara, inclusive da vez que o pastor alemão se soltou e nós ficamos pendurados no portão da garagem até vovó prender ele novamente, parece que o nome dele era "Jow". Lembro ainda de um Fiat 147 que tia Sônia nos levou uma vez para praia, de um corcel que tio Geraldo tinha, papai na época tinha um Passat amarelo "neutrox". Lembro do homem que vendia quebra-queixo durante a tarde, da geladeira que tinha um bebedouro embutido, de tio Geraldo fazendo a barba com um barbeador elétrico (achava aquilo o máximo e sonhava fazer a barba um dia usando um daqueles, mas confesso que ainda não tive coragem de comprar um), e uma particularidade que me veio à cabeça agora de que Surama dormia com as pernas cruzadas; agora os bolinhos na hora do almoço eram o que havia de melhor na face da terra.

Não tenho muitas recordações de ir para Arcoverde de ônibus com vovó, mas lembro bem de irmos uma vez com Cláudia para a rodoviária antiga e de nós estarmos na escada rolante com Cláudia bem cuidadosa com a gente. Lembro mesmo é das viagens na caminhonete de tio Geraldo, aquela carroceria tem muita história. Lembro da fazenda de Toré e tia Selene, lá aprendi a atirar com Silvinho e tinha o cabrito que ele criava; tinha o papagaio que cantava "acorda Maria Bonita, levanta e vem fazer o caféééééé..."; de quando desligavam as luzes na virada do ano; lembro do colete que Surama usava, mas não me recordo do episódio de vovó cair no buraco da cama, acho que não era eu, como poderia me esquecer de um episódio desses; e foi atrás da cisterna da fazenda que dei meu primeiro beijo numa prima ou amiga de Ditinha, não me recordo bem o nome dela, mas sei que era o mesmo nome de uma marca de margarina da época. Foi incrível como narrei para Melissa, na viagem de ida, toda ladainha das cidades (Vitória, Gravatá, Bezerros, ..., inclusive Mimoso) quando ela me perguntou se faltava muito para chegar, não sei se aprendi com vovó ou apenas copie de vocês o enredo. Lembro da casa perto da estação de trem, pois Silvinho tinha o disco de Michael Jackson (thriller), era um sucesso. E da outra casa bem grande que tinha os Filas Brasileiros.

Da casa de tia Solange lembro do relógio "cuco"; que tinha uns amigos de Mércia que eram caminhoneiros e que faziam transporte de combustível para Arcoverde, eles gostavam de falar sobre assombrações e apesar de fingir que nem ligava, eu morria de medo, não gostava nem de passar na frente das funerárias que tinham na rua que levava para o Bandeirantes, muitas vezes eu convencia Mércia a nos levar pela rua de trás. Lembro que Júnior namorava uma “moça” lá perto do hospital onde Priscila nasceu e Júnior pegou um monte de babosa para passar no cabelo durante o banho. Aprendi com Júnior a fazer ovo frito na margarina e depois Surama me ensinou a fazer no óleo, isso já foi na casa de Itamaracá. Júnior e Fabian não se entendiam muito bem, mas sempre estavam juntos.

Esqueci de perguntar a Silvinho sobre as máquinas de futebol que tinham no parque, era como se fosse "totó", mas tinha apenas uma manivela para movimentar o goleiro e outra para girar os jogadores, nem lembro o nome; tinha a roda gigante e o show de Roberto Carlos que passava todo ano.

Convivi um tempo com Rodrigo e Sandro, onde eles tinham um jogo que ligava atrás da televisão e era tipo paredão; foi lá também que aprendi a comer bolacha cream-craker com doce de goiaba no lanche.

Não tive muito contato com tio Sales, pois este sempre morou longe, só ouvia falar dele, mas nunca o via.

O aniversário de 90 anos eu não podia perder por nada, troquei o plantão na clínica e fui pra festa, nunca tinha visto tanta gente junta, mas foi muito emocionante poder participar daquele momento.

 Sei que fiquei ausente durante muito tempo, mas estou tentando resgatar esses laços, vejo hoje que a família é a unidade mais importante na vida do cidadão e que inconscientemente absorvi valores passados por meus familiares que carrego até hoje. Eu estava atônito na casa de tia Selene, perguntando a Samantha o nome dos “pirralhas” e filhos de quem eles eram, é muita gente. E saber que tudo isso começou com uma simples “senhorinha” de biotipo franzino e palavras doces.
Ilvinho e eu, não sei onde nem quando... "só sei que foi assim".


Não quero que Karlinha fique convencida com minhas palavras, mas como ela já narrou que era a neta preferida de voinha, tenho que confessar que ela é minha prima preferida, também não sei explicar por que, “só sei que foi assim”.

Um beijo no coração de todos.
Ilvio Vidal




















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