E nos deixou um exemplo de vida. Foram 97 anos e meio de dedicação total a todos os seus filhos, netos, bisnetos, genros, noras, demais familiares e tantos amigos. Sempre serviu bem a todos.
Nunca a vi reclamando ou falando mal de alguém. Se ferida, suportou sozinha suas aflições e sempre perdoou a todos. Em alguns momentos, para ratificar sua enorme paciência para com as adversidades, sua filha Sônia a chamava de Jó.
Sua pequena estatura física poderia esconder uma aparente fragilidade, logo dissipada após um primeiro contato. Foi nossa líder solitária. Deu-nos exemplos de humildade e perseverança, lutando contra tantas adversidades ao longo de sua vida. Após a partida de nosso pai, Pedro, lá atrás, em 1967, assumiu sozinha todas as responsabilidades pela família França Vidal.
Num período de maior necessidade, para conseguir alguns poucos trocados, vendíamos coco verde de um pé em nosso quintal e, também, jornais velhos. Dava para comprar o pão e leite do dia. Foi uma grande lição de luta e grandeza.
Até o final de sua vida terrena, Deus a preservou de doenças, talvez como forma de ajudá-la a servir melhor a todos nós. Próximo ao final de quase cem anos de vida, como resultado de fadiga biológica, sua saúde declinou e a abateu fisicamente. Mas, em sua sabedoria maior, Deus nos proporcionou momentos inesquecíveis de novos aprendizados com D. Judith. Cada um de nós tem seus e peço que nos contem (vamos construir uma rede internet).
Um dia, ao visitá-la, ela pediu-me para não deixar de vir sempre àquela casa. Entendi seu pedido como para que não deixasse de visitar sempre a todos aqueles que formam a nossa família. Repasso este pedido de D. Judith a todos. Aquele já foi um primeiro momento de despedida.
Principalmente nestes últimos anos de sua vida, notei que D. Judith tinha preparado outros auxiliares para continuar a sua missão de nos ensinar mais sobre a vida. Aprendi muito com Sônia, Solange, Selene, Solon e Sílvio, cada um a seu modo diferente de se comportar neste período. Minha esposa Nenê e meus filhos, Diogo e Tainá, me deram lições de muito amor e dedicação. Não esqueço que D. Judith sempre perguntava como estavam Amanda (a “menininha”), Sandra e Paulo. Me emocionei com Fabian e Pedrinho ao vê-los chorar junto a D. Judith. Aprendi também, com Karla e Surama, sempre presentes em todos os momentos. Aprendi também com Breno, Andréa e Eugênio, por seu amor e atenção com D. Judith. Com Geraldo, por considerá-la como sua segunda mãe. Solange, antes a mais emotiva, mostrou determinação por ter sido a única dos filhos a querer ver D. Judith em seus momentos derradeiros no leito da UTI. Certo dia, D. Judith pediu-me para levá-la à casa de Júnior e Roseneide para conhecer a nova bisneta, Ana Clara. Aprendi muito com Mércia, por sua espiritualidade e emoção para servir. Cláudia, Pedro, Pedrinho e Priscilla também me ensinaram sobre o amor a D. Judith. Um dia entenderemos como Pedro foi levado à UTI do hospital na noite de sua partida. O “porque” já sabemos: foi para permitir que parte de nossa família pudesse estar junta naquele momento.
Com Solon, Lena, Rodrigo, Sandro e Lali, aprendi pela emoção e disponibilidade em servir, juntamente com Tati e Mônica. Selene, Toré, Silvinho, Judith e Jeane sempre formaram a segunda casa de D. Judith, sempre aberta quando de suas visitas a Arcoverde. Com Sílvio, aprendi pela disponibilidade para ajudar, junto com Ilza, Ilvinho, Sheyla e Samantha.
Enfim, acredito que D. Judith deixou uma boa equipe para continuar a repassar seus ensinamentos de vida, sem esquecer que Vitinho, Vinícius, Maria Alice, Sabrina, Felipe, Sofia, Netinho, Anna Luíza, Giovanna, Camila e Ana Clara estarão aí firmes pra continuar a redistribuir o amor recebido de D. Judith.
Acredito que este foi o seu maior desejo: o de ter formado um grande família. E ela conseguiu. Agora, cabe a cada um de nós preservarmos esta conquista.
Apenas nos piores momentos de dor, incluindo as dores renais e de um infarto, D. Judith reclamou, implorando a Deus para cessar tanto sofrimento, que a chamou para perto de Si, poupando-a de mais aflições. Sem sabermos, no momento exato de sua partida, estávamos todos juntos na sala de espera da UTI do hospital, de mãos dadas, orando a Deus por D. Judith. Logo após a oração, chamaram Diogo, que logo em seguida retornou com o sinal de sua passagem para uma nova vida. Apesar da tristeza em vê-la partir, só temos a agradecer a Deus por nos ter dado a chance de conviver com D. Judith. Para todos que com ela conviveram, D. Judith foi uma verdadeira dádiva de Deus, que nunca mais será esquecida.
Minha mãe partiu. Nossa mãe Judith partiu. D. Judith partiu.
Acredito que, a partir de agora, ela já está ajudando a todos nós, e a quem mais necessite, como um anjo de Deus, ao seu lado, eternamente.
Recife, 14 de novembro de 2009
Em nome de todos os filhos de D. Judith, Sales.
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