segunda-feira, 27 de junho de 2011

24. Meu "Melhor Amor"!

           Um dia desses, dia de solidão, todos nós temos dias de solidão. Dias em que, ainda que rodeados de gente, nos sentimos sozinhos. Como somos. Todos somos sozinhos. Pois bem, num dia desses, pensando em minha vida, agora meio virada de cabeça para baixo, sem vovó, sem a presença mais constante de papai, com a presença oscilante de mamãe, lembrei de vovó. E consegui defini-la assim: o meu melhor amor! Vovó é o meu melhor amor. O amor mais fácil de amar...
            Nascemos rodeados de amores, dos pais, dos irmãos, dos familiares e depois dos amigos, do cônjuge... e com esses amores, sempre aprendemos muito. A ceder, a permitir, a acarinhar. Também a protestar, a confiar, a cuidar... Mas nem sempre são amores fáceis. Por vezes amamos com luta. Com o ardor de querer fazer dar certo. Amamos com lógica, como se repetíssemos, sei lá, ah, ele é meu primo, tenho que amá-lo. Amamos com críticas, como a querer encaixar o nosso amor à nossa moldura, àquela que acreditamos ser a mais coerente. Amamos com condições, com medidas, com alguns limites. Sim, a vida é assim, cheia de amores que nos moldam também, nos fazem renunciar, repensar, chorar, reaver... E é bom que haja amores diversos, crescemos. Mas há um tipo de amor que nos nutre. Dá-nos força para lidar com todos os outros amores. Esse é o nosso melhor amor!
            Vovó era (é) o meu melhor amor. Amor sem medidas, sem condições. Amor de alma. Retirando a parte erótico-afetiva a qual muitos atribuem à alma gêmea, posso considerar vovó a minha alma gêmea. A minha gêmea de alma. Sou menor. Não tão terna, não tão servil, não tão serena. Mas orgulho-me em parecer com ela, mesmo que em menores proporções.
Meu amor tão fácil de amar. Para quem eu nunca fui mal interpretada. Nunca precisei explicar mais de uma vez as minhas intenções. Ela confiava em mim! Nunca precisei repetir desculpas, pois creio que pouco ou nunca lhe magoei e mesmo que o tivesse feito, ela esqueceria. Amor sem críticas, mas não um amor cego. Um amor que dava conselhos, orientava nos erros, mas não reprimia, não censurava. Poucas vezes notei ter feito algo que a desagradava. Havia admiração mútua em nossos gestos. Aliás, tudo isso que digo de mim, também sentia em relação à vovó. Eu a compreendia. Bastávamos nos olhar para saber. Nossas conversas eram de cumplicidade. Quando fazíamos algo pela outra era com vontade, vontade de agradar. E por fazer, já nos sentíamos agraciadas. Quando eu fazia algo para vovó era como se a mim estivesse fazendo. Havia satisfação. Havia o tipo de amor que Jesus solicitou ao mundo: amássemos ao próximo como a nós mesmos.
Agradeço a Deus, por uma vez que seja, na vida, ter conhecido esse tipo de amor. Rezo para que com meus filhos, ou quem sabe com uma neta, eu consiga alcançar essa graça novamente. É um amor que renova. Que nos enobrece a alma. Que nos torna melhores. Agradeço a Deus por vovó ser esse amor, não poderia haver melhor. O meu melhor amor!
             

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