No princípio, eu pegava os pedacinhos de carne e jogava no moedor. Ela sempre me recomendava cuidado com os dedos. Eu jogava a carne e me afastava do perigo. Era emocionante. Depois, vovó começou a deixar eu moer com ela. Como era muito pesado, necessitava de muita força e eu era pequena, vovó rodava a alavanca do moedo
r comigo. E só quando a carne já estava pouquinha ou já moída, toda amassada, ela liberava a alavanca para eu continuar sozinha.
A carne tanto podia estar crua quanto previamente cozinhada. Geralmente, era já cozida com um pouco de sal. Lembro disso, pois quando terminava o meu “serviço”, vovó sempre me dava de prêmio um pires com um pouquinho da carne que tínhamos moído. Eu adorava.
Então, desmontávamos o moedor, suas peças pequenas, a carne enganchada nas peças, tínhamos que tirar com as mãos. Guardávamos o moedor numa sacola e colocávamos no balcão.
Quando fui ficando maior, então já colocava o moedor no tamborete. Claro que vovó sempre supervisionava, dando aqueles ajustes finais. Lembro que uma vez fiz quase tudo sozinha, mas sempre com ela do lado. E eu ficava perguntando: “está certo assim, vó?”. E ela sempre me dizendo que estava tudo ótimo. “Continue!”
Muitas vezes, ela deixava a carne sem preparar, para mim. Eu gostava mesmo. Da carne e do paparico. Era diferente para mim. Eu adorava.
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