Reconhecimento total nesta fala... que não é minha. Mas um dia foi! Especificamente, por volta de setembro de 2009... Talvez daí, o reconhecimento!
Minha amiga de trabalho começa a se deparar com a possibilidade da partida de sua avozinha. Dor em seu peito, aperto no meu...
Como revisitar estreitas ruelas, com a lembrança de quem já esteve lá, marcando passo a passo, em cada canto tão dolorido.
Sei o que ela sente, sei o que se passa em sua mente...
E mesmo não sendo igual, não há como não me reportar aos meus antigos sentimentos...
Como a vida nos faz solidários, recontando suas histórias com atores diferentes desempenhando os mesmos papéis; com personagens que repetem os mesmos dramas...
Como nos sentimos irmãos pelo reconhecimento do nosso sofrer em outros olhos, em outra alma!
Queria ter palavras de consolo para dar-lhe, amiga.
Mas não as tenho, pois nenhuma funcionou comigo!
Sim, a aceitação da vida e o conhecimento de que é possível a superação, embasadas na fé em Deus e em Seus desígnios, ajuda muito. Ajuda a sobreviver, a não se revoltar, a ter esperança e buscar serenidade.
Mas em nada ameniza a dor, a saudade, o vazio...
Faz-nos conviver com eles de forma harmônica. Mas não a ignorá-los!
Então as palavras ficam pequenas, tornam-se sem sentido... sem efeito.
Talvez um abraço, uma cumplicidade no olhar... uma certeza advinda de minha "sobrevivência", deixe-lhe claro que ela é possível.
Que a esperança permaneça até onde nossa alma desejar. Mas esse processo (de despedida) que se inicia, às vezes, muito antes dela acontecer de fato, nos ensina a tentar concebê-la e a "ir deixando ir" aquela que, por certo, já cumpriu grande parte de seu papel aqui conosco. E que excelente desempenho apresentou em nossas vidas! E que gratidão perdura em nossos sentimentos sempre, mesmo quando enfim, se efetiva a nossa inevitável separação...
Tantas palavras escritas, e ainda, muito sem ter o lhe que dizer...
Fique com o meu fraterno abraço (de alma!) e com a certeza (e consolo!) de que nossos lamentos são reflexos de uma relação essencial. Que se assim não o fosse, não seria tão sentida...
Nenhum comentário:
Postar um comentário